sexta-feira, 8 de julho de 2011

Admirável Gado Novo

Zé Ramalho, cantor nordestino do Brasil, compôs a música Admirável Gado Novo certamente num trocadilho com o título da obra de Aldous Huxley "Admirável Mundo Novo". Neste novo Podcast da Ruah, Paulo Sanda e André Luiz dialogam a respeito de liberdade, injustiça, desigualdade social, temáticas tão presentes na letra dessa canção.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Ruah Podcast - Músicas - Pra você

O Sertanejo Universitário é a nova onda da música no Brasil e a belíssima cantora Paula Fernandes é de um seus destaques. Neste novo Podcast Paulo Sanda e André Luiz discutem a temática da alteridade presente na música "Pra você" composta pela artista e Zezé Di Camargo.


Sacrifícios Humanos




Anos atrás nosso então presidente topetudo, Itamar Franco ficou feliz por derrubar a bolsa de valores.
“Nós vencemos eles”.
Nosso querido ex-presidente foi bastante polêmico, e nos brindou com muitas frases e flagrantes.
Na época eu como quase economista, ex operador de pregão Bovespa e BM&F, achei um absurdo a afirmação dele.
Afinal, ele estava se congratulando por afundar o pais!
Afinal o mercado financeiro é uma forma das empresas conseguirem capital de risco para realizar investimentos produtivos, gerando emprego e divisas para a nação.
Desculpe Itamar, eu estava errado e você certo.
Já venho a algum tempo desconstruindo minha ideia sobre a nossa sociedade baseada no capital, mas ontem vendo os protestos da Grécia, que passa por uma profunda crise, com alto desemprego e falta de perspectivas para o povo.
O governo grego na última década levou as despesas públicas as alturas, e praticamente dobrou o salário do funcionalismo. Agora o pais tem dificuldades para pagar suas dívidas e o parlamento vai aprovar um pacote de austeridade que vai congelar o salário dos servidores públicos, aumentar impostos, o preço da gasolina e elevar a idade mínima da aposentadoria. Este pacote vai impactar diretamente a vida de todo povo grego. É assim, uns se privilegiam e todos pagam a conta.
O capital tem que ser preservado, pois é o ente máximo de nossa sociedade.
O povo grego vai pagar o pato, para que o capital não seja prejudicado.
É algo surreal, pessoas serão sacrificadas no altar.
É verdade, o altar!
Vejam, bastou o parlamento grego acenar com possibilidade de aprovação deste pacote de austeridade econômica que as bolsa entraram em festa pelo mundo todo. São verdadeiros templos do capital. E em nome deste deus, realizamos estes verdadeiros sacrifícios humanos.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Novidade , velha.

Amigos, acabamos dando uma mancada.
Colocamos nosso primeiro podcast no ar na página de Podcast, mas esquecemos de inserir o Post sobre a novidade!

Feita a mea-culpa.
Veja o primeiro podcast, onde comentamos o filme Tropa de Elite II, a importante mensagem que ele nos passa.

Faça seus comentários e indique outros temas que você gostaria que fossem abordados!


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Pensamento sistêmico ou holístico II - Diálogo

Percebi que nas últimas semanas o meu artigo sobre pensamento holístico foi bastante acessado. Então resolvi escrever um pouco mais sobre o tema. Pensei que talvez eu pudesse fazer alguma aplicação prática daquilo que foi dito ali ou ampliar um pouco mais o conceito.
Mas antes, que tal, se ao invés de falarmos em pensamento sistêmico pudéssemos trocar para orgânico. Sim, porque quando falamos em sistema, nos dá a impressão de algo engessado, pre-formatado e que não pode ser alterado. Orgânico é diferente. Orgânico nos traz a idéia de elementos que agem e interagem entre si, mas que podem ser modificados para que os objetivos sejam cumpridos. Mas como orgânico também tem muito haver com a vida no sentido biológico, nos faz pensar no objetivo maior que é a vida.
Então, puxando um pouco mais para o foco da Ruah, que é trabalhar com valores que possam agregar para a vida das pessoas em suas comunidades de trabalho. Convido vocês a refletir comigo de que forma o pensamento orgânico nos ajuda a alguma questão prática.
Pensando sobre como o diálogo é um valor de muita importância para equipes que querem produzir algo que agregue para as pessoas e, por conseguinte, para sua comunidade, vamos tentar perceber como o diálogo é atitude preponderante daquele que tem pensamento orgânico ou sistêmico.
A primeira lição que devemos aprender, é que todo bom diálogo começa com a atitude e a boa vontade para ouvir. Sim, pois aquele que deseja apenas falar, faz monólogo. O escritor Rubem Alves escreveu um texto onde ele diz que deveria haver um curso de "escutatória", porque os cursos de oratória existem aos montes, mas o nosso grande problema não é saber falar, e sim, saber ouvir. Pode perceber, que sempre quando vamos conversar com alguém, não queremos ouvir suas idéias e sim colocar as nossas. E mesmo quando nos dispomos a ouvir o outro, já vamos interpretando e oferecendo nossa hermenêutica ao nosso interlocutor. Que tal se apenas ouvíssimos?
A segunda lição decorre da primeira e diz respeito ao fato de quando primeiro ouvimos o outro até o fim o que ele tem para dizer, aí sim temos a opção de escolher. Ou seja, ouvir é ser livre para fazer uma escolha, é ter de fato escolhas para fazer.
Outra lição que o diálogo nos traz, é que ouvir o outro nos desafia a repensar nossa própria opnião e ai então construirmos algo novo.
Perceba que o pensamento orgânico considera não apenas as suas próprias idéias mas também as dos outros e isto é enriquecedor. Quando for desenvolver um trabalho em equipe, comece a praticar o diálogo e você verá o quanto seu trabalho será enriquecido e o quanto as pessoas se sentirão valorizadas por participar de verdade contribuindo e recebendo contribuições. Num organismo, todos os "órgãos" são importantes e um só deles que seja, faz falta.

André Luiz Alves da Silva
Palestrante da Ruah, teólogo e pós-graduando em Filosofia

sábado, 21 de maio de 2011

Na hora da festa fiquei de fora!

Paulo Sanda


Puxa vida!
Vou lá com meia dúzia de gatos pingados, nos esfalfamos, ficamos roucos de gritar em várias manifestações seguidas.
Quando finalmente pinta uma galera legal, quando tem dança indígena, participação de “caciques”, eu não posso ir!
Fui convidado, não posso reclamar disto.
O problema é que esta vida de idealista  faz a gente passar por umas situações um pouco difíceis. Havia passado a semana toda com cinco reais no bolso, nem dinheiro para fazer o mercado, quando mais condução para ir à manifestação.
Pois é, faz parte da vida. Mas quer saber de uma coisa. É maravilhoso!
É lindo saber que apesar de eu não poder ter estado lá, as coisas aconteceram.
É edificante ver que os ideais podem contaminar as pessoas.
É recompensador, ouvir que a vida está lutando e continua lá, brotando em muitos corações.
Da mesma forma, dá esperança.
A esperança, que apesar de a humanidade hoje ainda ser predadora da própria humanidade e da natureza, existe um sopro, uma possibilidade das coisas mudarem.
Que conseguimos nos desgarrar de nosso egoismo materialista, para pensar no futuro.
No futuro de todos e do planeta.
Acredito que há esperança, que se por um lado, o “mal” faz parte da natureza humana, no exercício de nosso egoismo e mesquinhez, por outro, o “bem” também luta dentro desta mesma natureza, na forma do amor e da abnegação. Que podemos transcender a esta sociedade egoísta, que só consegue pensar em consumir e consumir, para uma humanidade que deseja amar.
Bom, você deve estar pensando, que eu afoguei minhas mágoas numa garrafa de cachaça e devo estar bêbado e apaixonado para escrever tanta besteira.
Olha eu gosto sim de uma cachacinha, não vou negar. Mas não é este o caso.
Se você olhar para a história da humanidade, verá que, estamos caminhando.
Não é a primeira vez que eu digo isto, mas vale lembrar. Só que desta vez vamos colocar um enfoque diferente, quem quiser ver outros, leia na crônica anterior, “Esperando por uma condenação histórica”.
Cinquenta anos atrás ou menos, uma mulher solteira grávida era um escândalo! A família fazia tudo para encobrir.
Hoje as mulheres são independentes (ou quase) e muitas simplesmente decidem ter um filho sozinhas.
Os homossexuais, eram uma aberração, tinham que se “esconder no armário”. Hoje a união homo afetiva é uma realidade aceita pela lei, os direitos dos casais homossexuais é reconhecido. E não somente pelo estado, mas até uma igreja endossou este reconhecimento. A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, na figura de seu bispo primaz Dom Maurício.
Mais presente ainda. A partir do próximo ano as sacolinhas plásticas usadas para colocar compras no comércio serão coisa do passado em São Paulo.
Temos muito pela frente para construir uma sociedade justa e sustentável, mas, passo a passo, estamos no caminho. Caímos, tropeçamos, mas continuaremos a jornada.
Da mesma forma que eu não puder ver a bela festa que foi a manifestação contra Belo Monte na av. Paulista no último dia 20 de maio, também acredito que não estaremos vivos quando esta construção humana chegar a sua plenitude. Mas fico feliz de poder ter palmilhado um pequeno trecho desta estrada.
Não desanimemos, a batalha é dura e, às vezes pode parecer inglória.
Mas vale a pena.
Parabéns a todos que estiveram lá. Parabéns a todos que se juntarão à nós daqui para frente.
Nunca é tarde.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Esperando por uma condenação histórica.

                Um dia numa aula de teologia da missão urbana.
                A aula ia bem, o professor desenvolvia o tema sobre os paradigmas da civilização ocidental. Comentou sobre os abusos realizados por grandes reformadores, contudo aplicava a contraposição de idéias (dialética), não que isto seja de alguma forma justificativa, mas o uso do poder e da violência por parte destes, era nada menos do que o resultado da interpretação que eles podiam fazer do mundo com os paradigmas que tinham até então.

Hoje é inaceitável pensar nos horrores que foram realizados em nome de “deus” , as perseguições, cruzadas, inquisições, sim no plural pois elas não foram realizadas apenas pela igreja de Roma como se pensa costumeiramente, os reformadores também perseguiram e queimaram muitas pessoas.
 E apesar de terrível, não é tão simples assim condená-los, não podemos olhar a história de forma tão simples. É preciso entender  os paradigmas que formavam a cosmovisão daquela época.
                Quando um aluno interferiu dizendo que independente de qualquer fator a despeito das informações que dispunham as pessoas da época, o principio moral do valor da vida é único e nunca mudou.
                Perdi a paciência, como alguém que se pretende teólogo consegue ter tamanha dificuldade de abstração?
                Agora você deve estar pensando; “Este cara está variando! É lógico que o colega dele está certo.” Exatamente neste ponto que eu quero chegar. Mas vamos caminhar mais um pouquinho no tema.
                Hoje é impensável pensar em escravidão, ela ainda existe, mas não é aceita pela sociedade. Mas a dois mil anos atrás era corriqueira. Uma pessoa se tornava escrava pelas mais variadas razões. Seu povo perdeu uma guerra, você virava escravo. Não podia pagar uma dívida, virava escravo. Os pais o vendiam,  virava escravo. E assim por diante. Era lógico, normal, comum, não havia escândalo algum. Mil anos a frente, as práticas escravagistas mudaram um pouco seu foco. Escravizar pessoas de sua própria “cor” não era certo. Mas negros e índios; sem problema algum. Mais algumas centenas de anos em plena revolução industrial, mão de obra escrava já não era bem vista, mas fazer operários trabalharem de forma desumana, sem nenhum direito trabalhista; operários incluíam homens, mulheres e crianças; tudo bem. A coisa era tão bem aceita, que qualquer manifestação contrária como no protesto organizado pelas operárias de uma tecelagem, seria punida da forma que bem entendessem os donos do poder. Neste caso específico prenderam as mulheres dentro da fábrica e atearam fogo. Qualquer relação com as fogueiras da inquisição deve ser mera coincidência. Mas este caso específico hoje é lembrado e a memória destas pessoas homenageada no dia internacional da mulher.
                Da mesma forma a humanidade vem se estruturando de tal forma que não aceita mais tais práticas. Hoje debate-se o preconceito, racial, social, sexual, etc. Na questão sexual, não somente de gênero mas também de opções. Mas nem sempre foi assim.
                Isto tudo nos faz pensar que somos donos de uma moral suprema. Que os valores humanos e humanísticos estão plenamente desenvolvidos.
                Graças a Deus estamos totalmente enganados!
                Se isto fosse verdade então a humanidade estaria fadada ao fracasso.
                Um dos milhares de exemplos de situações controversas que hoje vivemos é a seguinte:
                Você usa energia elétrica? Eu uso e muita, digo muita pois todo mês tenho dificuldade para pagar as contas. Mas deveria dizer muita por outros motivos.
                De onde vem esta energia? Com os recentes acontecimentos no Japão a geração nuclear está na berlinda. Ao pensar em  termoelétricas, logo associamos a emissão de carbono e ao efeito estufa. Sobram as hidroelétricas! Que maravilha, então o Brasil tem o melhor  modelo de geração elétrica, uma vez que apesar de termos usinas nucleares e térmicas, a predominância de nossa matriz é de origem hídrica. Podemos dormir tranqüilos.
                Caro amigo, estamos totalmente enganados. As usinas hidroelétricas são tão desumanas quanto as nucleares e térmicas. Geram gás carbônico e metano, por causa do apodrecimento da matéria orgânica no fundo de seus reservatórios. Devastam quilômetros e quilômetros de florestas, tem alto impacto em todo o processo ambiental nas regiões que são instaladas. Deslocam pessoas de suas regiões de origem e degradam suas vidas. Não fosse assim não haveriam movimentos como o das pessoas atingidas por barragens. Levam ao extermínio da cultura e da dignidade de povos indígenas.
                Mas que importa? O que vale é que no final das contas podemos tomar nosso banho quentinho em um chuveiro elétrico, nos refrescar no ar condicionado, ler este texto na internet, etc.
                Por isto eu espero que em um futuro que, tomara, não seja muito distante nossos descendentes nos olhem e digam.
                Como eram bárbaras e selvagens as pessoas até o início do século XXI.