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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Pensamento sistêmico ou holístico II - Diálogo

Percebi que nas últimas semanas o meu artigo sobre pensamento holístico foi bastante acessado. Então resolvi escrever um pouco mais sobre o tema. Pensei que talvez eu pudesse fazer alguma aplicação prática daquilo que foi dito ali ou ampliar um pouco mais o conceito.
Mas antes, que tal, se ao invés de falarmos em pensamento sistêmico pudéssemos trocar para orgânico. Sim, porque quando falamos em sistema, nos dá a impressão de algo engessado, pre-formatado e que não pode ser alterado. Orgânico é diferente. Orgânico nos traz a idéia de elementos que agem e interagem entre si, mas que podem ser modificados para que os objetivos sejam cumpridos. Mas como orgânico também tem muito haver com a vida no sentido biológico, nos faz pensar no objetivo maior que é a vida.
Então, puxando um pouco mais para o foco da Ruah, que é trabalhar com valores que possam agregar para a vida das pessoas em suas comunidades de trabalho. Convido vocês a refletir comigo de que forma o pensamento orgânico nos ajuda a alguma questão prática.
Pensando sobre como o diálogo é um valor de muita importância para equipes que querem produzir algo que agregue para as pessoas e, por conseguinte, para sua comunidade, vamos tentar perceber como o diálogo é atitude preponderante daquele que tem pensamento orgânico ou sistêmico.
A primeira lição que devemos aprender, é que todo bom diálogo começa com a atitude e a boa vontade para ouvir. Sim, pois aquele que deseja apenas falar, faz monólogo. O escritor Rubem Alves escreveu um texto onde ele diz que deveria haver um curso de "escutatória", porque os cursos de oratória existem aos montes, mas o nosso grande problema não é saber falar, e sim, saber ouvir. Pode perceber, que sempre quando vamos conversar com alguém, não queremos ouvir suas idéias e sim colocar as nossas. E mesmo quando nos dispomos a ouvir o outro, já vamos interpretando e oferecendo nossa hermenêutica ao nosso interlocutor. Que tal se apenas ouvíssimos?
A segunda lição decorre da primeira e diz respeito ao fato de quando primeiro ouvimos o outro até o fim o que ele tem para dizer, aí sim temos a opção de escolher. Ou seja, ouvir é ser livre para fazer uma escolha, é ter de fato escolhas para fazer.
Outra lição que o diálogo nos traz, é que ouvir o outro nos desafia a repensar nossa própria opnião e ai então construirmos algo novo.
Perceba que o pensamento orgânico considera não apenas as suas próprias idéias mas também as dos outros e isto é enriquecedor. Quando for desenvolver um trabalho em equipe, comece a praticar o diálogo e você verá o quanto seu trabalho será enriquecido e o quanto as pessoas se sentirão valorizadas por participar de verdade contribuindo e recebendo contribuições. Num organismo, todos os "órgãos" são importantes e um só deles que seja, faz falta.

André Luiz Alves da Silva
Palestrante da Ruah, teólogo e pós-graduando em Filosofia

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

PENSAMENTO SISTÊMICO OU HOLÍSTICO

Pensamento sistêmico é pensar no todo e não apenas na parte. É ter visão panorâmica.
Quem tem pensamento sistêmico não generaliza, mas considera cada caso. Olha o processo e não parte dele.
Quem tem pensamento sistêmico olha para o presente, passado e futuro.
É pensar de forma não linear. É não pensar apenas no aqui e agora, mas nas conseqüências, nos resultados e nas razões.
É não agir sempre por impulso, pela paixão e pela emoção. Mas também não é agir só pela razão. É agir com razão e paixão.
É não pensar apenas no “próprio nariz”, mas considerar os outros, todos os outros e a si mesmo.
É não se esquecer que não se está sozinho no mundo.
Algumas situações onde costumeiramente se deixa de pensar de forma sistêmica:
- Os criminosos. Só se olha o crime e não as situações psicológicas e sociais que levaram o indivíduo a cometer o crime. A conseqüência é o desprezo pelos direitos humanos dos presos, a aceitação de pena de morte como sendo solução para o problema da criminalidade. São soluções de idéias reduzidas e simplórias, para se livrar do problema. Um pensamento sistêmico estabelecerá projetos de educação, combate a pobreza, consciência social, trabalho de recuperação, tratamento psicológico, etc.
- Transporte clandestino. Uma reportagem na Rede Record mostrou que há um grande número de ônibus clandestinos fazendo viagens pelas estradas do Brasil por tarifas mais baratas. A opinião dos jornalistas, foi simplista e linear, pois disseram simplesmente que a solução seria fiscalizar e prender os responsáveis. Ora, deve-se perguntar porque pessoas compram essas passagens mais baratas? Porque esses motoristas trabalham dessa forma esses ônibus em péssimas condições? Existem outras alternativas. Perceba que quando fazemos perguntas do tipo “por quê”, ou seja quando procuramos as reais razões, estamos pensando de forma sistêmica ou holística, ou seja procurando cobrir todos os lados antes de oferecer um julgamento e respostas simplistas.
- Maridos e Esposas. Se cônjuges pensassem de forma sistêmica, as brigas poderiam ser evitadas. Pois normalmente nessas horas, cada um só olha o seu próprio pedaço e tenta defendê-lo com unhas e dentes sem pensar na situação do outro. Já percebemos por aqui que pensar de forma sistêmica não é tão fácil, faz a gente entrar em conflito consigo mesmo. Nossa natureza parece sempre tender mais ao egocentrismo.
                Na empresa, precisamos começar a pensar de forma sistêmica:
- Departamentalização. A cultura de “bairrismo” impera em muitos setores. Pessoal do comercial não se atenta para as questões fiscais. Não olha o todo: empresa-cliente-governo-o povo-imagem-colega da área fiscal-família do colega-etc.
- Defender o meu “cargo”. Estamos tão afoitos em defender o próprio cargo que nos esquecemos da razão pela qual nosso trabalho existe como parte do um todo da companhia, que no final das contas precisa atingir seus objetivos, que por sua vez contribui para todos os colaboradores atingir os seus objetivos.
- Lucro acima de tudo. Ter lucro acima de tudo, sem pensar no funcionário que é explorado, sem pensar no meio ambiente que pode estar sendo prejudicado, sem pensar no todo.
                Você já ouviu falar do “Efeito Borboleta”? Tudo o que você faz tem efeitos mundiais.
                Já vimos que não é fácil pensar sistemicamente ou holisticamente. Então o desafio é grande. O programa de espiritualidade na empresa é essa alternativa de pensar sistemicamente procurando minimizar nas relações que temos com o mundo, com os outros e conosco mesmos, os impactos de nossa desvairada ação e pensamento linear.
                Um outro risco que mencionamos apenas, referente a falta de um pensamento holístico são as famosas generalizações, que na verdade não passa de reducionismo, ser simplório. Frases do tipo: Padre é tudo pedófilo, Pastor é tudo ladrão, carioca é tudo metido, praia é tudo igual, político é tudo ladrão, etc. Mesmo que as vezes isso pareça ser verdade, é um engano da mente. Pois deixa de enxergar os que apesar de serem da mesma profissão ou de uma certa classe, deixa-se de considerar as particularidades. Então olhar o todo, é olhar também todas as partes possíveis. Daí a necessidade que temos do complexo ao invés do simplório. Veja não estou falando de simplicidade no sentido de humildade ou de viver de forma simples. Falo sobre a necessidade de se considerar toda a complexidade da vida e do universo, e isso também em todas as áreas da vida humana, inclusive numa empresa.
“Na linguagem cotidiana , uma situação complexa soa como confusa e difícil de resolver. Evoca uma realidade cheia de dobras, nas quais escondem variáveis difíceis de serem compreendidas. Confunde-se complexidade com complicação, algo que não é fácil de explicar nem de resolver.” (AFONSO MURAD – GESTÃO E ESPIRITUALIDADE – EDITORA PAULINAS – PG.178)
                Murad também explica a etimologia da palavra “complexo” que origina-se do latim “complectere”. A raiz “plectere” significa trançar, enlaçar. Remonta ao trabalho de fazer cestas. O sufixo “com” acrescenta o sentido de dualidade dois elementos opostos que se enlaçam intimamente. Ou seja o pensamento complexo lida com conflitos, com o diferente. Ainda, o perplexo, “per” significa levar ao extremo algum coisa, por exemplo “perfeição”,  não dá conta de lidar com as diferenças. Ele permanece “enrolado” nas complexidades. Pensar de maneira sistêmica é lidar com as complexidades, é ter pensamento complexo.
                No ambiente de trabalho é preciso lidar com dimensões completas, inclusive de nossa humanidade. Lidar com nosso lado material e lidar com o nosso lado espiritual. Lidar com os valores da empresa e lidar com os nossos valores pessoais. Lidar com os meus valores e lidar com os valores dos meus colegas. Lidar com os meus problemas do meu setor e com os problemas do outro setor. Lidar com coisas antagônicas. Lidar com questões econômicas e lidar com questões humanas ou espirituais. Se não nos dispomos a essa “lida” com a complexidade, fatalmente ficaremos perplexos e assim permaneceremos até por fim “morrermos”.
                Nesse sentido um grande problema do mundo pós-moderno é que ele tornou-se tão complexo, tão abarrotado de informações, que o que temos hoje são os especialistas. As escolas formam especialistas, mas não formam um ser humano integral. De fato, será necessário nos concentrarmos em uma especialidade para não nos perdermos nas infinitas opções e especialidades que existem. Faça uma busca no Google de qualquer tema e você terá uma infinidade de sites, blogs sobre o tema. Entretanto, mesmo tendo que ser especialistas não podemos perder a noção do todo, no mínimo em saber que existem visões diferentes sobre o mesmo assunto ou problema.
                Podemos então concluir que ter um pensamento holístico ou sistêmico é não perder de vista os outros pontos de vista.

André Luiz